II. Malditos Goblins!
Ano 644 - 13 dias de faomir
Em Shaulderon o evento mais esperado do ano é sem dúvida a cerimônia de nomeação dos guardiões. A tradição dessa ordem de campeões remete à Era das Trevas, quando um grupo de obstinados fez da Floresta Goriell uma proteção contra os ataques das criaturas de Dharkos. Desde então a cidade-fortaleza e toda sua região são protegidas por esses valorosos guerreiros.
A cidade acordou em clima de muita expectativa, afinal dois novos guardiões seriam nomeados. L'Andris é um estudioso das artes arcanas e filho de uma família abastada, o que o faz pouco popular. Por outro lado, Mannak, o negro, é um homem simples e muito querido pelos moradores, além de ser um combatente formidável com um machado de batalha.
Hulgan estava triste, pois sempre sonhou em ser guardião e vinha treinando muito para isso. Porém, mais uma vez, ele teria de participar da nomeação como convidado, junto de seus novos companheiros.
Como manda a tradição, a cerimônia foi realizada na ilha voadora localizada bem em frente ao pátio do castelo e acima do grande lago. Muitos convidados ilustres marcaram presença, entre eles Radaxenvark, o dragão verde. No momento previsto, Fimbrin, o gnomo mestre da cerimônia, deu início aos trabalhos.
Inicialmente, anunciou a bela Jhara, filha de Vexor, que trouxe as novas insígnias dos guardiões, desfilando toda a sua graça. Em seguida, Vexor fez um discurso firme, porém breve, abrindo espaço para o principal da cerimônia – a nomeação. Com a exceção de Acaeus, que insistia em arrumar confusão com Radaxenvark, o público estava atento e ansioso quando L'Andris e Mannak foram anunciados. Depois das honras, eles estavam prestes a receber as insígnias quando algo interrompeu a cerimônia.
A voz desesperada de um guarda quebrou o silêncio em meio aos olhares espantados. A cidade estava sob ataque! Vexor imediatamente coordenou uma retaliação aos invasores, suspendendo a nomeação e rumando para os portões da fortaleza. Logo Acaeus, Hulgan e Lehdrian se dispuseram a ajudar.
Todos ficaram surpresos ao constatarem que se tratava de globlins. Essas criaturas desprezíveis vinham tentando invadir Shaulderon há algum tempo, sempre sem sucesso algum. Na verdade sua insistência já se tornara motivo de piadas – meros goblins nunca seriam páreo para os guardiões. O que se seguiu foi um massacre...
Mas algo estava errado dessa vez e Vexor ainda buscava respostas para o fato de as criaturas terem conseguido abrir os portões pelo lado de dentro da fortaleza. De repente, um guarda lhe trouxe uma notícia terrível – sua querida filha Jhara tinha sido sequestrada em meio a confusão!
Cego pelo ódio e pelo desespero, Vexor decidiu rumar com todos seus guardiões para oeste, local de chegada dos invasores. Os demais ficaram na cidade para proteger o castelo, onde também ficaram Acaeus, Hulgan e Lehdrian.
Algum tempo depois, Jellifer surgiu com uma missão para o trio de aventureiros. Ele descobrira que Vexor havia se precipitado e estava no caminho errado – os raptores da doce Jhara tinham tomado o rumo oposto. Era a chance de Hulgan provar o seu valor! Eles partiram então em busca da princesa, enquanto Jellifer seguiu para avisar Vexor de seu erro.
Depois de uma longa perseguição através da floresta, o trio se aproximou de uma fenda no penhasco, que levava a entrada de uma caverna onde estavam os bandidos e sua presa. Movido pelo senso de dever (e também pelo amor), Hulgan atirou-se pela passagem escura e descobriu da pior maneira uma armadilha de fosso. Acaeus e Lehdrian vieram logo atrás.
Ao atingirem a câmara principal da caverna, se depararam com o inesperado – Jellifer bradava que seu mestre “queria de volta o que era dele”, enquanto pisava em Jhara que jazia desmaiada. Apesar da grande dúvida e em meio a acusações, irrompeu a batalha. Hulgan deu tudo de si, fazendo brilhar as lâminas de suas cimitarras na penumbra da caverna, enquanto Lehdrian e Acaeus investiam com suas bastardas. Os inimigos dificultaram as coisas com magia e flechas certeiras, mas por fim e depois de muito sangue, o trio saiu vitorioso.
Ao tombar, o falso Jellifer se revelou um doppelganger, para o espanto de todos. Ficou claro que essa criatura, que possui a capacidade de se transformar em outros humanóides, foi responsável pela abertura dos portões da fortaleza e o rapto da princesa. Mas quem seria seu “mestre”?
Ainda cansado e muito ferido, Hulgan tomou Jhara em seus braços e os guiou de volta a Shaulderon.