Imortal

V. A Menina e o Monstro

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Ano 644 - 27 dias de faomir

Com a pequena tripulação disponível, a viagem após o confronto com Capitão Krigg foi vagarosa e entediante. Porém, a visão da qual o grupo pôde desfrutar ao se aproximar da ilha de Daraz Lune foi compensadora. Suas águas cristalinas, a vegetação exuberante e a areia alva da praia renovaram os ânimos de todos.

No desembarque, os aventureiros foram recebidos por Gika, uma garotinha falante, que foi logo oferecendo seus serviços como guia. E enquanto o grupo aceitava a proposta da pequena, Acaeus deixava o que sobrou de Krigg aos cuidados dos sacerdotes de um templo na cidade, ensinando ao espaçoso capitão uma lição de misericórdia.

Ainda na praia, Vernara e Lennara se despediram de todos, rumando para sua terra natal, Branadin, o reino do deserto. Momento triste para Lehdrian que, ao lamentar a partida de sua amiga, foi presenteado com um pingente mágico. Por outro lado, Zarash decidiu permanecer com o grupo, uma vez que provavelmente seus caminhos se entrelaçariam.

Porém, mesmo sabendo que deviam seguir para o norte, os aventureiros decidiram procurar alguém que pudesse os oferecer orientação. Com a ajuda de Gika, conheceram Lernius, o cartógrafo, que apesar de parecer um pouco triste, os recebeu em sua casa. Ali, eles negociaram a confecção de um mapa e souberam que ele levaria algum tempo para ficar pronto, então decidiram conhecer melhor Daraz Lune.

Passado algum tempo, andando pela cidade, a pequena guia foi perdendo aos poucos seu ar alegre e, com os olhos úmidos, os revelou um segredo. Há alguns dias, ela estivera em um lugar proibido, uma gruta afastada da cidade. Lá ela disse ter visto uma criatura terrível que a deixara tão assustada que a fizera perder a tiara de sua mãe, com a qual brincava naquele dia. Agora ela estava com muito medo de seu pai, pois aquela jóia era um objeto de recordação de sua querida esposa que já não era mais viva.

Comovido, o grupo decidiu ajudar Gika, rumando para a tal caverna, que ficava a algumas horas de caminhada pela praia e depois mata a dentro.

O lugar era realmente oculto. Cauteloso, o grupo se esgueirou por uma passagem estreita, para depois atingir uma câmara úmida e abafada, parcialmente iluminada por frágil raio solar. Acaeus protegia a garota com dedicação, enquanto Hulgan rastreava o local e Lehdrian avançava resoluto, quando um estranho barulho ecoou pela caverna. Escondida na escuridão, a coisa estava atacando Lehdrian com uma explosão úmida e fétida, dando inicio à batalha. Ela era esperta o suficiente para se aproveitar do ambiente escuro e encharcado e deu muito trabalho aos guerreiros que, após derrotá-la, constataram tratar-se de um horrendo homem-peixe.

Em seu covil, eles encontraram um diário com palavras profanas de um culto a um deus negro e esquecido, chamado Dagon e um ritual de transformação, além de uma urna cheia de ossadas humanas (provavelmente de vítimas usadas no ritual). A surpresa foi ainda maior quando Gika reconheceu alguns pertences da criatura como sendo do filho de Lernius, desaparecido há um ano, e motivo da tristeza do velho cartógrafo.

De volta à praia e com a tiara recuperada, tudo foi relatado para Baloff, o pai da garota, que com os olhos cheios d’água abraçou-a dizendo que ela nunca mais devia temê-lo, pois ela era seu maior tesouro; a recordação viva de sua amada esposa.

Na cidade, o grupo procurou Lernius para dar-lhe a triste notícia – seu filho não só havia caído em desgraça, como tinha feito várias vítimas com seu solitário e macabro culto. As pessoas ligadas às vítimas esboçaram uma reação hostil contra o velho, mas logo perceberam que aquilo tudo não era culpa sua: a escuridão está sempre à espreita, e mesmo os bons de coração podem ser seduzidos por seu nefasto poder...

IV. Cilada em Alto Mar

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Ano 644 - 22 dias de faomir

A não ser pela tentativa frustrada de um bando de rufiões de se apoderar dos pertences de Delv, a viagem pela costa até a grande cidade portuária de Riddas foi tranquila. Com seu cliente a salvo, o grupo recebeu a recompensa de imediato. Delv retirou o ouro de sua curiosa maleta sem fundo, pagou a todos e depois partiu.

Restava ao grupo arrumar uma maneira de cruzar o Mar Eterno, rumo ao continente de Luscantar. O cais revelou muitas opções e quando finalmente pareciam ter tomado uma decisão, lá estava Delv novamente com seu jeito espalhafatoso e uma novidade.

Ele havia conhecido Krigg, capitão de um luxuoso galeão, para o qual estava aceitando aventureiros. Interessado, o grupo dirigiu-se ao local onde a nau estava ancorada, para saber mais sobre a proposta. Lá, Krigg disse ser agente da União dos Aventureiros de Luscantar e que, em troca da presença do grupo em uma reunião a se realizar no final do trajeto, eles poderiam viajar sem custo algum. A proposta era muito boa e o grupo decidiu aceitá-la, se preparando para a partida, marcada para a manhã seguinte.

Ano 644 - 23 dias de faomir

Já no primeiro dia de viagem todos fizeram novas amizades.

Acaeus, interessado na bela guerreira ruiva chamada Vernara, era o mais animado, exibindo seus dotes físicos com exercícios no convés e se atirando feito um louco do mar. Depois ainda fez um gracejo para a jovem, fingindo roubar-lhe a arma, mas foi muito mal recebido por ela, que mostrou ter a língua afiada e a boca suja.

Já Lehdrian conheceu melhor a irmã gêmea de Vernara. Apesar da semelhança física, Lennara, tímida e reservada, tem um comportamento muito diferente de sua irmã. Lehdrian se encantou com seu jeito meigo e passou o dia todo cortejando a ruivinha, que ficava ainda mais vermelha de vergonha.

Quieto, Zarash, o drakon, observava a maré com o olhar distante. Sua armadura negra em contraste com sua pele rubra acentuava ainda mais seu ar imponente. Curioso, Hulgan se aproximou e iniciou uma conversa. Nela descobriu que Zarash é um guerreiro solitário que viaja em busca do dono de uma adaga, e que a única pista que possui é a letra “K” gravada em seu pomo. Mais tarde, Acaeus reconheceria a arma como sendo fabricada em Torm'grest, importante cidade de seu reino.

Ano 644 - 24 dias de faomir

Na noite do dia seguinte, Capitão Krigg ofereceu um jantar aos aventureiros. Foi então que revelou suas reais intenções.

Quando todos estavam satisfeitos com o farto banquete, ele pediu para que suas criadas servissem um licor conhecido, segundo ele, como “lágrima de donzela”. Desconfiados, Acaeus e Lehdrian se recusaram a degustar a iguaria. Hulgan apenas molhou o bico. Vernara, por sua vez, entornou uma dose dupla enquanto sua irmã se absteve, a exemplo de Zarash. Os que beberam, caíram imediatamente, desmaiados. Era uma cilada!

Acaeus atirou rapidamente a grande mesa do jantar contra dois guardas, prendendo-os contra a parede. Hulgan ainda estava grogue quando Zarash se ergueu em auxílio a Acaeus. Lehdrian tratou de proteger Lennara, ficando mais na defensiva. O combate prosseguia com o zunir do aço em meio à gritaria quando outros guardas chegaram em defesa de Krigg, que se retirou do local, rumo ao convés principal.

Lá fora, sob uma chuva torrencial e com a maioria dos guardas já dominada, Lennara, fora de si, usava de suas artes arcanas para incendiar uma das velas do navio. Lehdrian tentava acalmá-la quando Krigg declarou em tom de ameaça que se toda a tripulação morresse, o navio ficaria à deriva.

Furioso, Acaeus desafiou-o para um duelo, visando poupar a tripulação para o resto da viagem. A batalha foi difícil para o Leão de Angariis, que sofreu na pele a astúcia do capitão, mas por fim Krigg sucumbiu e, dominado, revelou que seu desejo era vender os aventureiros como escravos num local conhecido com Ilha dos Gladiadores.

Mesmo com a tripulação reduzida, depois de mais alguns dias de viagem, o grupo alcançou Daraz Lune, ilha principal do paradisíaco Arquipélago de Lune.

III. Cara de Um...

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Ano 644 - 14 dias de faomir

O dia seguinte ao fatídico rapto da princesa começou com um misto de alívio e tristeza, afinal Jhara estava salva, mas vários moradores haviam perdido suas vidas durante a invasão, inclusive a criada mais querida de Jhara, na qual o maldito metamorfo havia se disfarçado nos últimos dias.

Porém, uma pessoa estava mais ansiosa entre as demais. Hulgan sabia que seu ato de heroísmo podia ser um atalho para seu maior sonho, a nomeação como guardião. Ele estava certo.

Logo após o funeral a cerimônia foi retomada, desta vez com um público mais restrito. Depois de certo suspense, Vexor chamou o jovem shifter e, declarando eterna gratidão, o fez Guardião de Shaulderon. Em seguida presenteou a ele a e seus amigos, que também participaram do resgate. Hulgan recebeu uma armadura rubra, Lehdrian um símbolo de esperança, e Acaeus braçadeiras de poder. Para fechar a cerimônia, Hulgan, muito empolgado, deu um rolamento de alegria!

Como a cerimônia aconteceu pela manhã, e eles tinham uma longa viagem pela frente, decidiram partir imediatamente, mas não antes de Jellifer os fazer um último pedido. Como iriam passar por Anglion e seu irmão vive lá, ele pediu que lhe entregassem uma carta.

Ano 644 - 15 dias de faomir

A viagem, feita a cavalo, foi tranquila e ao anoitecer do dia seguinte o grupo atingiu a vila élfica de Anglion. O local é uma espécie de entrada de Goriell, onde viajantes buscam orientação antes de mergulhar em sua imensidão.

Alguns pedidos de informação depois, Hannasar foi encontrado em uma taverna chamada Portal da Floresta, lugar frequentado principalmente por forasteiros e que chama a atenção por ser construído em torno de uma grande árvore. Não fosse por alguns traços do rosto, ninguém diria que esse elfo soturno é irmão de Jellifer. Orgulhoso, sarcástico e às vezes agressivo, ele não liga muito para seu irmão guardião.

Ao aproximar-se, o grupo nota que ele gesticula para um humano, que recebe um embrulho e se retira, dando a chance para iniciarem uma conversa. Nela, ele recebe a carta de Jellifer com desdém e tece alguns comentários inoportunos. Porém, como bom “negociante” que diz ser, faz uma proposta aos aventureiros.

Um mercador e cliente seu chamado Delv iria fazer uma viagem um tanto arriscada até Riddas e por isso necessitava de proteção. Por sorte (ou azar) a próxima parada do grupo seria mesmo na grande cidade portuária. Além do mais, a recompensa de 600 ouros era muito boa. Apesar das objeções de Acaeus, o negócio foi fechado e eles partiriam na manhã seguinte.

Porém, aquela noite foi agitada. Hospedado nos quartos da Portal da Floresta, construídos na copa da grande árvore, o grupo foi surpreendido por um barulho na madrugada. Hulgan, com seu sentido animal, foi o primeiro a perceber o ocorrido: eles estavam sendo roubados! Ao notar a atenção do shifter, o larápio saiu em disparada, saltando do alto da janela noite a dentro.

Depois de uma longa perseguição por entre árvores e casas, o grupo alcançou seu alvo. E, para a surpresa de todos, tratava-se do humano que conversava com Hannasar naquela tarde, quando eles chegaram à cidade. Muito alterado, Acaeus espancou o pobre coitado até a morte. Porém, uma pergunta não queria calar – até que ponto Hannasar estava envolvido com o ocorrido?

Ano 644 - 16 dias de faomir

Naquela manhã, após o desjejum na taverna, o grupo ouviu explicações pouco prováveis do irmão de Jellifer para a tentativa frustrada de furto que sofrera e depois seguiu viagem para Riddas.

II. Malditos Goblins!

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Ano 644 - 13 dias de faomir

Em Shaulderon o evento mais esperado do ano é sem dúvida a cerimônia de nomeação dos guardiões. A tradição dessa ordem de campeões remete à Era das Trevas, quando um grupo de obstinados fez da Floresta Goriell uma proteção contra os ataques das criaturas de Dharkos. Desde então a cidade-fortaleza e toda sua região são protegidas por esses valorosos guerreiros.

A cidade acordou em clima de muita expectativa, afinal dois novos guardiões seriam nomeados. L'Andris é um estudioso das artes arcanas e filho de uma família abastada, o que o faz pouco popular. Por outro lado, Mannak, o negro, é um homem simples e muito querido pelos moradores, além de ser um combatente formidável com um machado de batalha.

Hulgan estava triste, pois sempre sonhou em ser guardião e vinha treinando muito para isso. Porém, mais uma vez, ele teria de participar da nomeação como convidado, junto de seus novos companheiros.

Como manda a tradição, a cerimônia foi realizada na ilha voadora localizada bem em frente ao pátio do castelo e acima do grande lago. Muitos convidados ilustres marcaram presença, entre eles Radaxenvark, o dragão verde. No momento previsto, Fimbrin, o gnomo mestre da cerimônia, deu início aos trabalhos.

Inicialmente, anunciou a bela Jhara, filha de Vexor, que trouxe as novas insígnias dos guardiões, desfilando toda a sua graça. Em seguida, Vexor fez um discurso firme, porém breve, abrindo espaço para o principal da cerimônia – a nomeação. Com a exceção de Acaeus, que insistia em arrumar confusão com Radaxenvark, o público estava atento e ansioso quando L'Andris e Mannak foram anunciados. Depois das honras, eles estavam prestes a receber as insígnias quando algo interrompeu a cerimônia.

A voz desesperada de um guarda quebrou o silêncio em meio aos olhares espantados. A cidade estava sob ataque! Vexor imediatamente coordenou uma retaliação aos invasores, suspendendo a nomeação e rumando para os portões da fortaleza. Logo Acaeus, Hulgan e Lehdrian se dispuseram a ajudar.

Todos ficaram surpresos ao constatarem que se tratava de globlins. Essas criaturas desprezíveis vinham tentando invadir Shaulderon há algum tempo, sempre sem sucesso algum. Na verdade sua insistência já se tornara motivo de piadas – meros goblins nunca seriam páreo para os guardiões. O que se seguiu foi um massacre...

Mas algo estava errado dessa vez e Vexor ainda buscava respostas para o fato de as criaturas terem conseguido abrir os portões pelo lado de dentro da fortaleza. De repente, um guarda lhe trouxe uma notícia terrível – sua querida filha Jhara tinha sido sequestrada em meio a confusão!

Cego pelo ódio e pelo desespero, Vexor decidiu rumar com todos seus guardiões para oeste, local de chegada dos invasores. Os demais ficaram na cidade para proteger o castelo, onde também ficaram Acaeus, Hulgan e Lehdrian.

Algum tempo depois, Jellifer surgiu com uma missão para o trio de aventureiros. Ele descobrira que Vexor havia se precipitado e estava no caminho errado – os raptores da doce Jhara tinham tomado o rumo oposto. Era a chance de Hulgan provar o seu valor! Eles partiram então em busca da princesa, enquanto Jellifer seguiu para avisar Vexor de seu erro.

Depois de uma longa perseguição através da floresta, o trio se aproximou de uma fenda no penhasco, que levava a entrada de uma caverna onde estavam os bandidos e sua presa. Movido pelo senso de dever (e também pelo amor), Hulgan atirou-se pela passagem escura e descobriu da pior maneira uma armadilha de fosso. Acaeus e Lehdrian vieram logo atrás.

Ao atingirem a câmara principal da caverna, se depararam com o inesperado – Jellifer bradava que seu mestre “queria de volta o que era dele”, enquanto pisava em Jhara que jazia desmaiada. Apesar da grande dúvida e em meio a acusações, irrompeu a batalha. Hulgan deu tudo de si, fazendo brilhar as lâminas de suas cimitarras na penumbra da caverna, enquanto Lehdrian e Acaeus investiam com suas bastardas. Os inimigos dificultaram as coisas com magia e flechas certeiras, mas por fim e depois de muito sangue, o trio saiu vitorioso.

Ao tombar, o falso Jellifer se revelou um doppelganger, para o espanto de todos. Ficou claro que essa criatura, que possui a capacidade de se transformar em outros humanóides, foi responsável pela abertura dos portões da fortaleza e o rapto da princesa. Mas quem seria seu “mestre”?

Ainda cansado e muito ferido, Hulgan tomou Jhara em seus braços e os guiou de volta a Shaulderon.

I. Encontros e Sonhos

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Ano 644 - 13 dias de isendal

Naquela manhã de verão Acaeus, o jovem soldado, e Lehdrian, o paladino de Dusallan, mesmo sem se conhecerem, se encontraram na praça central da grande cidade em meio ao movimento dos trabalhadores e a alegre correria das crianças. Apesar da nitidez de suas diferenças, o destino parecia querer provar suas parcas semelhanças e um simples aceno foi suficiente para que se notassem.

Em momentos distintos da tarde anterior, cada qual havia recebido de um oficial do exército a notícia de uma longa viagem e as ordens para uma missão em comum, mas vista de ângulos diferentes.

Acaeus fora incumbido de visitar a cidade-fortaleza de Shaulderon, localizada na Floresta Goriell, no Novo Continente. O povo de lá guarda muitos segredos e um deles é de grande interesse de seu exército, que almeja aprimorar a técnica de seus arqueiros. Ele precisava buscar informações. Para tanto, devia encontrar-se com Jellifer, um elfo guardião e especialista no assunto.

Porém, apesar de contar com a plena confiança (e a preferência) de seu comandante, essa é a típica missão diplomática não indicada para um bruto como Acaeus. Foi a deixa de Lehdrian, que deveria acompanhar o jovem soldado e zelar para que seu ímpeto não prejudicasse o andamento da missão.

Dessa maneira os dois iniciaram o que seria uma longa e tranquila viagem, primeiro por Luscantar, depois através do grande mar e enfim atingindo o Novo Continente.

Ano 644 - 11 dias de faomir

Foi em uma tarde de faomir que a dupla já cansada avistou por entre as copas das árvores de Goriell a grande muralha de Shaulderon.

A cidade foi erguida nas encostas dos penhascos das Montanhas Rhundar e é conhecida como a Capital da Floresta. Seus habitantes, em sua maioria humanos, vivem em total harmonia com a natureza, sob os preceitos de Gharis, sua patrona.

Depois de um pequeno desentendimento de Acaeus com as sentinelas da muralha no qual Lehdrian fora obrigado a intervir, eles adentraram à cidade e logo alcançaram um templo de Dusallan, onde lhes foi oferecido abrigo. Acaeus, porém, preferiu dormir ao relento, sob as encostas e suas magníficas quedas d'água.

No dia seguinte partiram ao castelo, em busca de Jellifer e lá conheceram Vexor Forthior X, o regente da cidade. Porém, foram informados que encontrariam o arqueiro em uma casa perto da muralha, onde moravam Hulgan, o jovem shifter, e seu pai adotivo Korloc, o lenhador veterano.

Apesar de ser um guardião, Jellifer é uma pessoa simples e logo se dispôs a ajudar. Revelou que o regente Vexor é muito amigo do comandante de Acaeus e que as informações que eles procuravam estavam em um tomo mágico que ele herdara de seus avôs. Ele concordou em emprestá-lo, impondo apenas uma condição. Uma pessoa de sua confiança os acompanharia na viagem de volta para zelar pela sua relíquia de família.

Ao ser questionado sobre o desejo de cumprir esse papel, Hulgan logo se empolgou. Ele andava chateado, pois seu sonho de ser guardião teria de esperar ao menos mais um ano. Além disso, o jovem shifter ainda buscava respostas sobre sua origem e uma viagem talvez o ajudasse nesse sentido. A dupla acabara de se transformar em um trio.

Eles decidiram que partiriam logo após a cerimônia de nomeação dos guardiões, que aconteceria no dia seguinte. Pelo resto da tarde fizeram apenas uma breve caminhada pelos arredores da cidade, afinal havia poucas horas de descanso antes da longa viagem de volta.

Naquela noite porém, algo assustador aconteceu. Um pesadelo dominou a todos como uma febre. Foi como um sonho real, uma espécie de delírio coletivo. Nele, cenas terríveis surgiram vívidas em seus pensamentos, fazendo aflorar seus piores medos madrugada a dentro.

Na manhã seguinte o trio ficou ainda mais confuso ao constatar que todos tiveram o mesmo sonho. O que isso poderia significar?

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