Ano 644 - 13 dias de isendal
Naquela manhã de verão Acaeus, o jovem soldado, e Lehdrian, o paladino de Dusallan, mesmo sem se conhecerem, se encontraram na praça central da grande cidade em meio ao movimento dos trabalhadores e a alegre correria das crianças. Apesar da nitidez de suas diferenças, o destino parecia querer provar suas parcas semelhanças e um simples aceno foi suficiente para que se notassem.
Em momentos distintos da tarde anterior, cada qual havia recebido de um oficial do exército a notÃcia de uma longa viagem e as ordens para uma missão em comum, mas vista de ângulos diferentes.
Acaeus fora incumbido de visitar a cidade-fortaleza de Shaulderon, localizada na Floresta Goriell, no Novo Continente. O povo de lá guarda muitos segredos e um deles é de grande interesse de seu exército, que almeja aprimorar a técnica de seus arqueiros. Ele precisava buscar informações. Para tanto, devia encontrar-se com Jellifer, um elfo guardião e especialista no assunto.
Porém, apesar de contar com a plena confiança (e a preferência) de seu comandante, essa é a tÃpica missão diplomática não indicada para um bruto como Acaeus. Foi a deixa de Lehdrian, que deveria acompanhar o jovem soldado e zelar para que seu Ãmpeto não prejudicasse o andamento da missão.
Dessa maneira os dois iniciaram o que seria uma longa e tranquila viagem, primeiro por Luscantar, depois através do grande mar e enfim atingindo o Novo Continente.
Ano 644 - 11 dias de faomir
Foi em uma tarde de faomir que a dupla já cansada avistou por entre as copas das árvores de Goriell a grande muralha de Shaulderon.
A cidade foi erguida nas encostas dos penhascos das Montanhas Rhundar e é conhecida como a Capital da Floresta. Seus habitantes, em sua maioria humanos, vivem em total harmonia com a natureza, sob os preceitos de Gharis, sua patrona.
Depois de um pequeno desentendimento de Acaeus com as sentinelas da muralha no qual Lehdrian fora obrigado a intervir, eles adentraram à cidade e logo alcançaram um templo de Dusallan, onde lhes foi oferecido abrigo. Acaeus, porém, preferiu dormir ao relento, sob as encostas e suas magnÃficas quedas d'água.
No dia seguinte partiram ao castelo, em busca de Jellifer e lá conheceram Vexor Forthior X, o regente da cidade. Porém, foram informados que encontrariam o arqueiro em uma casa perto da muralha, onde moravam Hulgan, o jovem shifter, e seu pai adotivo Korloc, o lenhador veterano.
Apesar de ser um guardião, Jellifer é uma pessoa simples e logo se dispôs a ajudar. Revelou que o regente Vexor é muito amigo do comandante de Acaeus e que as informações que eles procuravam estavam em um tomo mágico que ele herdara de seus avôs. Ele concordou em emprestá-lo, impondo apenas uma condição. Uma pessoa de sua confiança os acompanharia na viagem de volta para zelar pela sua relÃquia de famÃlia.
Ao ser questionado sobre o desejo de cumprir esse papel, Hulgan logo se empolgou. Ele andava chateado, pois seu sonho de ser guardião teria de esperar ao menos mais um ano. Além disso, o jovem shifter ainda buscava respostas sobre sua origem e uma viagem talvez o ajudasse nesse sentido. A dupla acabara de se transformar em um trio.
Eles decidiram que partiriam logo após a cerimônia de nomeação dos guardiões, que aconteceria no dia seguinte. Pelo resto da tarde fizeram apenas uma breve caminhada pelos arredores da cidade, afinal havia poucas horas de descanso antes da longa viagem de volta.
Naquela noite porém, algo assustador aconteceu. Um pesadelo dominou a todos como uma febre. Foi como um sonho real, uma espécie de delÃrio coletivo. Nele, cenas terrÃveis surgiram vÃvidas em seus pensamentos, fazendo aflorar seus piores medos madrugada a dentro.
Na manhã seguinte o trio ficou ainda mais confuso ao constatar que todos tiveram o mesmo sonho. O que isso poderia significar?









