Ano 644 - 22 dias de faomir
A não ser pela tentativa frustrada de um bando de rufiões de se apoderar dos pertences de Delv, a viagem pela costa até a grande cidade portuária de Riddas foi tranquila. Com seu cliente a salvo, o grupo recebeu a recompensa de imediato. Delv retirou o ouro de sua curiosa maleta sem fundo, pagou a todos e depois partiu.
Restava ao grupo arrumar uma maneira de cruzar o Mar Eterno, rumo ao continente de Luscantar. O cais revelou muitas opções e quando finalmente pareciam ter tomado uma decisão, lá estava Delv novamente com seu jeito espalhafatoso e uma novidade.
Ele havia conhecido Krigg, capitão de um luxuoso galeão, para o qual estava aceitando aventureiros. Interessado, o grupo dirigiu-se ao local onde a nau estava ancorada, para saber mais sobre a proposta. Lá, Krigg disse ser agente da União dos Aventureiros de Luscantar e que, em troca da presença do grupo em uma reunião a se realizar no final do trajeto, eles poderiam viajar sem custo algum. A proposta era muito boa e o grupo decidiu aceitá-la, se preparando para a partida, marcada para a manhã seguinte.
Ano 644 - 23 dias de faomir
Já no primeiro dia de viagem todos fizeram novas amizades.
Acaeus, interessado na bela guerreira ruiva chamada Vernara, era o mais animado, exibindo seus dotes físicos com exercícios no convés e se atirando feito um louco do mar. Depois ainda fez um gracejo para a jovem, fingindo roubar-lhe a arma, mas foi muito mal recebido por ela, que mostrou ter a língua afiada e a boca suja.
Já Lehdrian conheceu melhor a irmã gêmea de Vernara. Apesar da semelhança física, Lennara, tímida e reservada, tem um comportamento muito diferente de sua irmã. Lehdrian se encantou com seu jeito meigo e passou o dia todo cortejando a ruivinha, que ficava ainda mais vermelha de vergonha.
Quieto, Zarash, o drakon, observava a maré com o olhar distante. Sua armadura negra em contraste com sua pele rubra acentuava ainda mais seu ar imponente. Curioso, Hulgan se aproximou e iniciou uma conversa. Nela descobriu que Zarash é um guerreiro solitário que viaja em busca do dono de uma adaga, e que a única pista que possui é a letra “K” gravada em seu pomo. Mais tarde, Acaeus reconheceria a arma como sendo fabricada em Torm'grest, importante cidade de seu reino.
Ano 644 - 24 dias de faomir
Na noite do dia seguinte, Capitão Krigg ofereceu um jantar aos aventureiros. Foi então que revelou suas reais intenções.
Quando todos estavam satisfeitos com o farto banquete, ele pediu para que suas criadas servissem um licor conhecido, segundo ele, como “lágrima de donzela”. Desconfiados, Acaeus e Lehdrian se recusaram a degustar a iguaria. Hulgan apenas molhou o bico. Vernara, por sua vez, entornou uma dose dupla enquanto sua irmã se absteve, a exemplo de Zarash. Os que beberam, caíram imediatamente, desmaiados. Era uma cilada!
Acaeus atirou rapidamente a grande mesa do jantar contra dois guardas, prendendo-os contra a parede. Hulgan ainda estava grogue quando Zarash se ergueu em auxílio a Acaeus. Lehdrian tratou de proteger Lennara, ficando mais na defensiva. O combate prosseguia com o zunir do aço em meio à gritaria quando outros guardas chegaram em defesa de Krigg, que se retirou do local, rumo ao convés principal.
Lá fora, sob uma chuva torrencial e com a maioria dos guardas já dominada, Lennara, fora de si, usava de suas artes arcanas para incendiar uma das velas do navio. Lehdrian tentava acalmá-la quando Krigg declarou em tom de ameaça que se toda a tripulação morresse, o navio ficaria à deriva.
Furioso, Acaeus desafiou-o para um duelo, visando poupar a tripulação para o resto da viagem. A batalha foi difícil para o Leão de Angariis, que sofreu na pele a astúcia do capitão, mas por fim Krigg sucumbiu e, dominado, revelou que seu desejo era vender os aventureiros como escravos num local conhecido com Ilha dos Gladiadores.
Mesmo com a tripulação reduzida, depois de mais alguns dias de viagem, o grupo alcançou Daraz Lune, ilha principal do paradisíaco Arquipélago de Lune.









