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XV EIRPG - Diário de Viagem



Dia 07 de julho, 2h30 – A Viagem

Apesar de nosso pequeno atraso, tudo correu dentro da normalidade: outras pessoas se atrasaram muito mais (e dá-lhe ataque de oportunidade pro Nelsinho...). Em Araraquara, o ponto de partida era o Teatro Municipal. Esse ano a excursão contou com um número maior de pessoas, por isso um ônibus foi fretado. Nosso quinto elemento matonense, vulgo Boi (Ox para os amigos), estava nos aguardando no local. Compramos umas cervejas e embarcamos.

A viagem foi tranqüila, com direito a parada estratégica no posto Graal Topázio e chegada em Sampa ao amanhecer. Detalhe: na viagem, ficou decidido que todo matonense começa com dois níveis de bárbaro gratuitamente...

Dia 07 de julho, 8h00 – Manhã de Sábado

Por incrível que pareça, fomos um dos primeiros grupos a chegar ao Colégio Marista Arquidiocesano, local do evento. Utilizando minha legítima carteirinha do Centro Paula Souza, comprei ingressos para os dois dias. Os outros fizeram o mesmo com suas carteirinhas, com exceção do Perereca que conseguiu esquecer a dele em casa.

Logo no início, o primeiro ponto negativo: a exemplo do ano anterior, a organização demorou para “abrir” as áreas que interessavam e nós tivemos que ficar esperando em pé cerca de quarenta minutos. Quando finalmente as faixas zebradas foram cerradas, um grande número de pessoas se dirigiu à área dos stands, formando filas principalmente na Feira de Jogos Usados (novidade...) e no Desafio D&D. Para esse ultimo, nosso amigo Perereca ficou encarregado de nos inscrever, mas uma repentina ausência de nicotina em seu organismo nos tirou mais uma vez do desafio.

Então, abrindo a temporada de consumismo, entramos de cara na Feira de Livros Usados. Esse ano decidi gastar menos e comprei apenas livros úteis, leia-se suplementos para D&D 3ª Edição. O troféu negócio da China ficou com o Nelsinho que adquiriu um Draconomicon novo por cinqüenta reais.

Nos perdemos do Perereca por um instante e quando o encontramos ele já tinha feito sua inscrição para a Batalha Campal. Para quem não participou dos últimos encontros, batalha campal é uma simulação de um combate, com espadas de espuma e plástico. Pois bem, lá estava nosso amigo sapo, sem camisa, empunhando uma arma de brinquedo e fazendo cara de malvado para os “inimigos”. Na hora do combate ele foi decisivo: derrotou três adversários. Um do exército inimigo e dois aliados seus...

O resto da manhã foi tranqüilo. Decidimos deixar pra jogar no domingo e gastamos o tempo andando feito bestas. Quase na hora do almoço, comemos um lanche (o famoso pão com lingüiça) e rumamos para o Shopping Santa Cruz, onde usaríamos o banco 24 horas e pegaríamos o metrô rumo à Moonshadows Livraria.

Dia 07 de julho, 13h00 – Tarde de Sábado

Para chegar a Moonshadows, tivemos que pegar o metrô na estação Santa Cruz, seguir até a Paraíso, mudar para a linha verde e descer na Brigadeiro em plena Avenida Paulista. Isso seria um fato normal, se não fosse pela situação... É sempre engraçado ver um bando de bárbaros caipiras na cidade grande.

Na Moonshadows, a segunda rodada de compras quase encerrou com os recursos de todos. Para o Meloso, por exemplo, sobraram incríveis dez centavos! Eu decidi comprar um conjunto de dados e a trilogia Porto Livre, da Jambô. Os demais fizeram a festa na seção de miniaturas.

De volta ao local do encontro, o grupo se separou. Nelsinho e Meloso para um lado, eu e Perereca para o outro. Não sei onde foram os dois primeiros, mas eu e o sapo presenciamos a melhor atração do encontro: a palestra do Senhor Monte Cook. No sábado, o tema era “Como escrevi meu primeiro RPG, aos 19 anos”. Realmente o sujeito merece estar onde está. Sua palestra, além de esclarecedora e descontraída, com certeza foi um grande estímulo para quem pretende publicar um RPG. E o Perereca ainda pode fazer uma pergunta para o autor. Muito bom! E domingo ainda teria mais...

Após a palestra, seguimos para o stand da Devir, onde eu enfrentei uma pequena fila para pegar um autógrafo do palestrante. Pode parecer besteira, mas ter a contracapa de meu Call Of Cthulhu D20 assinada pelo próprio Cook foi um sonho realizado. No momento, arrisquei algumas palavras com ele em inglês, o que me rendeu os seguintes dizeres em meu livro: “For Big Head! Monte Cook”. Big Head! Ainda tive o prazer de tirar uma foto apertando a mão do sujeito, mas com certeza essa foto eu não vou ver. Ela ficou na máquina de um cara de Porto Ferreira, com o qual já perdi o contato.

No fim da tarde, estávamos sentados perto do busão dividindo os lembas que sobraram da madrugada passada, quando recebemos a notícia que teríamos que seguir a pé até o albergue, pois nosso meio de transporte coletivo teria que ficar no estacionamento do evento.

Dia 07 de julho, 19h00 – O Albergue

Depois de uma pequena caminhada, chegamos ao famoso albergue (obrigado Ox, pelo companheirismo). Eram aproximadamente sete da noite quando todos puderam deitar em uma cama e tirar os malditos calçados. E para que?! Como fedem os pés dessa galera! É impressionante.

Depois de tirar o mau cheiro, fomos para o refeitório da pousada e tivemos uma surpresa agradável. A antiga cozinha tinha sido transformada em quarto e um novo e ampliado refeitório havia sido construído. Até uma mesa de bilhar estava a nossa disposição!

Logo, o Perereca, que havia tomado banho e se trocado pra sair a pé e tudo mais, desmontou. Eu, o Nelsinho e o Meloso ficamos fazendo personagens. Depois, comemos alguma coisa (obrigado Jé, pelo arroz instantâneo) e o Meloso também desmaiou. Eu e o Nelson ainda encontramos força pra roubar um vinho de caixinha na prateleira e tomá-lo antes de irmos deitar, por volta da meia-noite. A parte chata da noite no albergue ficou por conta de umas tiazinhas que praticamente tocaram a gente da televisão e colocaram um filme de auto-ajuda num volume altíssimo. Nunca ouvi tanta besteira num filme só. Puta ladainha chata do caralho! O nome da “pérola”? O Segredo...

viagemeirpg

Dia 08 de julho, 5h30 – Manhã de Domingo

Antes de o Sol nascer, acordei com a sensação que algo maléfico residente em meu ser precisava ser colocado para fora. Levantei, exorcizei os demônios e quando fui voltar para a cama percebi que outros estavam acordados. Saímos pra beber refrigerante e fumar. A manhã estava fria e o cabelo do Perereca estava rebelde. Um funcionário veio nos advertir para não fazermos barulho, pois ainda eram cinco da matina. Voltamos para o quarto, onde tivemos uma daquelas conversas divertidas de alojamento, e por volta das seis e meia, saímos para tomar o café da manhã.

O desjejum estava completo e nós comemos feito cavalos. Fomos os primeiros a chegar então pegamos as iguarias intocadas. Destaque para o pão-de-queijo que acho que só nós degustamos. Maravilha!

Por volta das oito e meia, nós estávamos prontos para deixar a pousada. Batemos algumas fotos e saímos. O Nelsinho, para variar, saiu gritando pela rua... E esse foi o momento em que aconteceu uma cena realmente hilária. Talvez revoltado com as constantes perturbações do albergue, um senhor, morador da casa à frente, saiu na janela visivelmente irritado com nosso amigo trovador. No momento, ambos travaram o seguinte diálogo, que passo a destacar, em razão da importância do mesmo:

Véio da Janela: Você é louco?!

Nelsinho: Eu não.

Véio da Janela: Então VÁ TOMAR NO SEU CU!!!

Nelsinho: Muito obrigado seu moço...

De volta ao encontro, mas não sem antes esperar o Nelsinho voltar para o albergue pegar uma mochila que ele havia esquecido (a história se repete), nós decidimos que aquela era uma boa manhã para se jogar RPG. Fizemos nossas inscrições, tomando cuidado para cairmos todos na mesma mesa de jogo, com um mestre desconhecido.

O mote da aventura era “qualquer conjurador deve morrer”, então nosso grupo foi formado por homens de armas. A mesa se configurou da seguinte maneira: Meloso, com um meio-orc monge; Perereca, com uma elfa ladina; eu, com um meio-orc bárbaro; Nelsinho, com um anão guerreiro; Adão, com um anão paladino; e Boi com uma elfa arqueira. O mestre chamava-se Gabriel e a aventura foi mestrada num ritmo muito rápido, até porque tínhamos um tempo pra cumprí-la. Tirando a falta de detalhes e a eventual confusão, a aventura foi muito divertida. O desfecho foi emocionante e todos se empolgaram bastante, apesar de como sempre, eu ter salvado o grupo da derrota. No fim, alguns personagens ainda se tornaram donos de terras cedidas pelo novo Rei (o antigo nós matamos...).

A aventura acabou por volta do meio dia, o que significava que tínhamos cerca de uma hora para almoçarmos, pois a palestra do dia estava marcada para a uma da tarde. Meloso e Perereca foram para o ônibus comer salgadinhos (que estavam na meia do senhor batráquio até então) e eu e o Nelsinho decidimos comer yakisoba. Depois da refeição (e da aula de hashi) fomos direto para a fila de mais uma palestra do Senhor Cook.

Dia 08 de julho, 13h00 – Tarde de Domingo

Depois de um pequeno atraso, a nova palestra de Monte Cook teve início. Desta vez, o tema seria "De Rolemaster a Ptolus: 20 anos de RPG". Todos os comentários feitos para a palestra anterior se aplicam a essa aqui, apesar de eu preferir a primeira, talvez pelo fato de ter me emocionado mais (acho que o tema do sábado foi mais simples e inspirador). Mais uma vez, o Perereca participou da sabatina ao palestrante. Apenas para registrar uma curiosidade, Malhavoc é o nome do primeiro personagem criado pelo autor.

Terminada a palestra andamos um pouco mais à toa e decidimos (eu e o Nelson) assaltar a mochila do Perereca. O cabaço estava escondendo um pacote de bolachas recheadas que nós, é claro, confiscamos. Antes mesmo de chegarmos à metade do pacote, seu dono apareceu, e eu muito sabiamente joguei a culpa em meu parceiro comilão.

As últimas horas do XV Encontro Internacional de RPG foram de descanso para mim. Fiquei relaxando no busão enquanto a galera foi mais uma vez ao shopping para o Nelsinho sacar uma grana. Na volta, eles ainda passaram nos stands e compraram mais um monte de miniaturas.

Dia 08 de julho, 17h30 – O Retorno

A galera da excursão decidiu sair mais cedo pra passar na Moonshadows. Nesse momento eu estava quebrado (em todos os sentidos) e preferi ficar no ônibus com o Meloso. Os outros, gastaram mais um pouco... Com miniaturas!

O curioso foi que, enquanto a maioria estava na loja, nós ficamos conversando com o pessoal de Araraquara e o motorista, até então muito reservado, veio até a gente e começou a entrar na conversa. Acho que ele estava feliz com o feriado (ou tinha tomado umas caninhas). Depois, teve que tirar o ônibus dali por causa do trânsito. Ele parou bem perto de um monte de lixo e começou incentivar a galera a chafurdar o lixo. Sem dúvida, ele estava alterado!

A viagem de volta em si foi tranqüila. Porém a galera estava muito feliz porque era véspera de feriado, daí a ausência daquele desânimo característico de todo regresso. E como não poderia deixar de ser, o assunto principal foi o “XVI Encontro Internacional de RPG”...

Então... até lá!

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